A alegria do futebol vem sendo ofuscada pela violência. As brigas não estão somente nas arquibancadas. Dentro das quatro linhas, a bola muitas vezes é esquecida. O que marcam as partidas são desde as entradas desleais até a pancadaria generalizada. Um exemplo da atual situação do esporte foi vivido pelo meio campista David Beckham, atual jogador do Los Angeles Galaxy, que no dia 23 de agosto envolveu-se em uma briga com o adversário Jesse Marsch, do Chivas USA após levar uma entrada dura. Os dois foram expulsos.
As ações judiciais envolvendo jogadores são freqüentes. Os responsáveis pela abertura dos processos são os procuradores. Muitos clubes recorrem a eles para denunciar irregularidades nas partidas, é o que explica o advogado do Departamento Jurídico do Grêmio, Jorge Petersen.
Os julgamentos são rápidos. “O procurador tem 30 dias para denunciar. Se passar desse prazo, prescreve. E a constituição estabelece 60 dias para julgar toda a ação”, revela Petersen. Após o decreto do tribunal, o jogador tem três dias para recorrer.
As atitudes que mais levam os jogadores ao banco dos réus são reclamações e jogadas violentas, como o carrinho. Em casos como jogadas agressivas, quem é processado é o atleta. O clube atua apenas como parte interessada, agindo na defesa do acusado.
As penalidades mais freqüentes são as suspensões por partidas (de uma até dez) ou por dias. A última é mais prejudicial ao clube, visto que impede o jogador de atuar em qualquer campeonato. Em caso de penas muito longas, o clube pode tentar uma negociação financeira. “Por exemplo, o atleta pega 120 dias de suspensão. Então, solicitamos no tribunal que converta a metade disso em pecúnia. Assim o jogador cumpre 60 dias, e paga o valor que o tribunal estipula. Geralmente em cestas básicas”, explica Petersen.
Um recurso que vem facilitando os julgamentos são as imagens captadas pelas câmeras de televisão. Foi o caso do atacante do Lyon, Fred, que agrediu com o cotovelo o rosto do zagueiro romeno Cristian Chivu, do Roma, e atual Inter de Milão, fraturando o seu nariz. O brasileiro Fred não foi penalizado no jogo, pois a arbitragem não viu o lance. Entretanto a punição ocorreu com base na analise posterior de cenas da partida. O atacante recebeu três jogos de suspensão.
Apesar de constante, a atuação da justiça não tem conseguido frear a violência dentro de campo. Os processos terminam, mas as atitudes continuam sendo vistas nos gramados. Este quadro aponta para a necessidade de outras alternativas, fora do âmbito judicial. Falta consciência aos atletas para mudar esse triste cenário do futebol.
Por Camila Balotin, Fernanda Wenzel, Raquel Steffler
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